Na Minha Cama com Medo…

Outubro de 2022.
O mês de Outubro é o mês dos vários desafios – do Inktober ou do Writober que tenho vindo a participar desde há alguns anos, entre muitos outros para espicaçar a criatividade. Também é o mês mais assustador, do Halloween, das maratonas de séries, filmes e leituras de terror. E dos jogos, claro!

Neste ano, não quis participar no Writober para me lançar a uma maratona que juntava o útil ao agradável e ao vício – e porque já tenho contos suficientes para editar em backlog… E por falar nisso, quis ir ao dito, também para testar a emulação na Steam Deck, com a condição de serem apenas jogos de terror.
Antes de avançar, convém mencionar que tenho as edições físicas dos jogos mencionados. Porquê? Compras impulsivas, compras impulsivas, eu sei… Com esta brincadeira, ainda me consegui livrar de um! Qual? É continuar a ler.

Os jogos em questão:

  • Dino Crisis (PSX);
  • Rule of Rose (PS2);
  • Eternal Darkness: Sanity’s Requiem (GameCube)
  • Silent Hill: Shattered Memories (Wii PS2)
  • Alone in the Dark: Inferno (PS3) Alone in the Dark: The New Nightmare (Dreamcast).

A minha história com o Dino Crisis remonta aos tempos em que ainda líamos revistas. Houve uma edição da Super Jogos (ou da Revista Oficial PlayStation) com o guia deste curto jogo nas suas páginas centrais que devorei como se fosse um romance. Fiz isso com vários jogos da época porque era o mais próximo de Streams/Let’s Play que havia na altura. E o máximo que joguei, foi a demo que incluía parte do nível inicial, a sequência stressante na varanda com o T-Rex e o puzzle dos canos coloridos. Foi o suficiente para me apaixonar pela tensão aterradora que perdurou até agora.
O jogo fazia coisas diferentes, como trocar o terror dos zombies ou dos aliens pelo dos dinossauros, algo pouco explorado até então. E como ainda estava naquela fase de adorar dinossauros (trivia: o meu primeiro filme de sempre no cinema foi o Parque Jurássico), foi uma descoberta bonita.
Infelizmente, nunca o encontrei físico e a preços decentes, mas comprei a sequela no lançamento! Não fiquei satisfeito com a direcção mais arcadey e deixei de prestar atenção à série. Sei que há outro jogo no espaço, mas não explorei muito mais.

Quando o finalmente encontrei, só não o joguei de imediato por uma questão de logística e preguiça.
Com a Deck, deixou de haver desculpas… E Dino Crisis superou as minhas expectativas de menino! Admito que não senti a mesma tensão da altura, mas compreende-se por já ter alguns anos na faina. Ao mesmo tempo, estes anos permitiram-me desfrutar ainda mais do que se foi perdendo no género, como a mítica mensagem inicial sobre conteúdos violentos e gráficos, do guião e das personagens campy e cheesy.
Ainda assim, apanhei alguns sustos quando os bichos me entravam pelas portas ou seguiam o rasto de sangue pelos corredores ou ventilações claustrofóbicas. É isso: não só perdemos dano, como sangramos e se não tratarmos do ferimento, o sangue vai atrair raptors. Por outro lado, se forem fãs dos dinossauros e não os quiserem matar, é possível misturar tranquilizantes e correr pelo jogo todo. Entre três possíveis finais, consegui o melhor pelo simples facto de ter um péssimo sentido de orientação! Sigam-me para mais dicas para vencer na vida.
Este jogo é daqueles que merecia o mesmo tratamento dos remakes de Resident Evil.

Rule of Rose foi a minha compra visionária que também ficou na prateleira durante anos. Com a fama de ser o jogo mais aterrador e controverso que até foi banido e removido das lojas, só podia ser mesmo bom. Certo? Certo?!
Certo! Até podia ser outro caso de entusiasmo excessivo para especular o preço, mas o meu tempo com este jogo foi um de desconforto e de curiosidade mórbida – adorei.

Passado num orfanato e com poucos elementos sobrenaturais, não é muito difícil prever o rumo das poucas horas de terror, onde as crianças eram literalmente soberanas e capazes das maiores atrocidades em nome da brincadeira. Confirmo alguns zunzuns temáticos, mas cada um terá as suas susceptibilidade e gatilhos para decidirem se querem avançar.
Não é um jogo perfeito: a jogabilidade é linear e o combate é péssimo; valeram-me os save states da coisa para não arrancar cabelos nos bosses, mas o grandessíssimo ponto positivo vai para o canito que nos acompanhava na aventura e que nos procurava itens úteis, servia como distracção e de guia para os pontos de interesse. Com o meu péssimo sentido de orientação, apenas me limitei a segui-lo.
Com uma atmosfera pesada e com direito ao seu grão cinematográfico, era difícil não reparar nas influências do género italiano giallo, que ainda me fez lembrar de um outro jogo que analisei há uns anos, o Remothered! Sem dúvida que será um jogo a manter na colecção, mas se me oferecerem a entrada de uma casa, ainda penso na coisa.

O Eternal Darkness: Sanity’s Requiem foi outro que demorou a chegar até mim. Não lhe conhecia o enredo, mas conhecia-lhe as mecânicas e os truques da sanidade para comer a cabeça aos jogadores da altura – ou a televisão se desligava ou o volume aumentava ou eram ilusões disto e daquilo que disse para mim: vá lá, não vais mesmo cair nisto, pois não?
Posso confirmar que caí 99% das vezes e mostrava o ecrã todo orgulhoso com o que tinha acabado de acontecer.

Não sei se fiquei fã da história Lovecraftiana a um nível geral, mas gostei de como foi contada e como atou as suas doze personagens ao longo dos vários períodos da História. Estas personagens eram distintas entre si, com mecânicas e afinidades diferentes que davam outro sabor ao jogo, com o médico a realizar autópsias aos inimigos para lhes descobrir vulnerabilidades ou o psiquiatra a descrever as interacções mais eloquentemente; outras eram mais dadas à magia; enquanto as mais contemporâneas se muniam de armas de fogo com uma bonita atenção ao detalhe aos tempos de carregamento que também iam evoluindo. No final de cada capítulo e descoberta, estas eram reflectidas no presente e na nossa personagem que ia adquirindo mais habilidades, itens e conhecimento.
Eternal Darkness fez de mim tolo e deslumbrou-me como uma criança. Será para ficar comigo!

Fiquem atentos à segunda parte, onde teremos as reviravoltas mais inesperadas de sempre!

Advertisement

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.