Na Minha Cama, Mas em Eorzea

Como já escrevi: não sou muito pessoa de jogar ao computador; muito menos para investir horas em MMORPG. Depois de ter visto .hack//SIGN e DUSK, namorava a ideia de jogar e de me perder em mundos digitais, só que a realidade digital era bem diferente daquelas séries. Ainda experimentei o colorido Ragnarök Online; passei umas boas semanas em Lineage II, com a minha Dark Elf e com o meu amigo na altura; Ultima Online porque oferecia personalização e role play brutais; e joguei World of Warcraft durante 24 horas – tudo em servidores privados porque não concebia a ideia de pagar mensalmente por um jogo. Isto tudo, antes de 2006, mais coisa menos coisa.
Assustei-me quando Final Fantasy deu o salto para o online com o XI. Seria o fim de uma era e de histórias single player? De todo, e também o experimentei porque prometiam mundos e fundos; e que podia ser um pescador ou um paladino ou ambos em simultâneo. Não pegou porque já percebia o que queria: boas histórias e jogar ao meu ritmo. Mas tudo mudou com o Final Fantasy XIV.

Não posso dizer que tenha acompanhado o desenvolvimento deste jogo, desde os seus problemas de produção, lançamento trapalhão a uma das maiores e melhores reviravoltas da indústria. Nem posso dizer que sou da equipa Yoshi-P desde pequenino porque só conheci o nome depois de A Realm Reborn, mas aqui estamos! Ao longo dos anos, devo ter feito o trial umas duas ou três vezes antes de me converter, mas por que insistia? Porque diziam-me que tinha ali uma excelente história e a possibilidade de a jogar sozinho; apenas teria de interagir com pessoas em algumas dungeons.

Então, comecei a primeira aventura com um pequeno e adorável Lalafell. Neste primeiro trial, tirei imensas fotos porque estava apaixonado pelas paisagens eorzeanas. Não me recordo do que fiz ou se avancei muito, mas recordo-me que não deu em nada.
No segundo trial, fui com um Miqo’te arqueiro e carpinteiro. Fiz os trinta dias, mas senti que não me investi o suficiente nesta aventura. E quando cheguei ao fim e tive de pagar, recuei por essa mesma razão: investimento. Não só tinha de investir na mensalidade, como tinha de investir tempo. Tenho zero problemas com jogos com cem ou mais horas – afinal, são o meu pão nosso, mas não conseguia justificar o meu tempo em frente a uma TV a jogar um MMO, com tudo o que isso implicava. Nem tinha PC para tal, para me perder nessas horas à vontade e deixar a sala livre para conteúdos com gratificações mais imediatas.
Só alguns anos e expansões depois, é que arrisquei numa Steam Deck para dar conta do backlog e voltar ao mundo de FFXIV, depois de promessas e de consumir bastante memes, arte e a banda sonora do mestre Soken. Já sem as contas anteriores, tive de recomeçar com uma nova personagem: a Andrea, uma enorme Roegadyn pirata e guerreira – tudo o que não sou na vida real, portanto.

Como já tinha passado pelas horas iniciais nos últimos trials, decidi apenas focar-me em MSQ (Main Scenario Quests ou apenas na história); no progresso da minha classe (de Marauder para Warrior); e nas Feature Quests (missões com ligeira história e que desbloqueiam funcionalidades) que apareciam pelo caminho. Não me perdi em fetch quests nem em tarefas secundárias. Para dizer que não voltei à carpintaria!
A fasquia estava bastante elevada; era muita gente conhecida que se havia convertido ao jogo; artigos que diziam que ARR e expansões eram um retorno aos clássicos Final Fantasy e estava mesmo, mesmo ansioso, para mergulhar num mundo medieval de espada e magia, com criaturas exóticas e histórias grandiosamente melodramáticas. E posso dizer que a minha experiência foi estupidamente maravilhosa desde o mês inicial de setembro até ao final do jogo base, em dezembro (2022). Não era o ambiente de .hack//SIGN que romantizava, mas estava quase, quase, lá.

Aquelas promessas de uma excelente história? Tudo verdade! Sabendo o básico dos básicos, apenas achei delicioso como inseriram o final da primeira versão falhada no início desta nova aventura – um mundo literalmente renascido do cataclismo, com a nossa personagem a ser apenas um aventureiro, entre muitos outros, aliado a personagens carismáticas e a tentar desenrolar um novelo de conspirações que ameaçam a estabilidade de um continente pós-guerra. Numa mão, tínhamos de lidar com as diversas tribos a invocar os seus Primals (GF, Eidolons, Eikons, Summons, como queiram!); noutra, também tínhamos o sinistro Império Garlean a avançar enquanto Eorzea recuperava. Bem no meio, um ror de fan service às prequelas, com criaturas e inimigos familiares; airships!; e muito, muito amor.
A aventura podia não ser original, sendo a tradicional jornada do herói, mas estava estruturada de uma maneira que puxava ao só mais uma quest; só mais um raid. Mesmo com algumas lombas no ritmo, o escalar do conflito, as reviravoltas e a resolução deixaram-me com um sorriso de deslumbramento rasgado. Não conseguia não partilhar a minha aventura através das muitas fotos, mas também tinha de falar com outros amigos jogadores.

Agora, o parágrafo importante: Como foi jogar na Deck? Fantástico! Poder jogar deitado ou correr uma raid no trono é algo que podemos fazer, mas não devemos escrever porque não parece bem, mas que pode ter acontecido…
Foi fácil configurar o jogo? Mais ou menos. Se tivermos conta, no jogo, pela Steam, é só instalar e jogar. Se tivermos uma conta normal, teremos de instalar o trial pela Steam, um executável exterior e correr tudo a partir de lá (e actualizações). Consegui à segunda.
Depois de tudo configurado, é como estar a jogar na PS4/5 com comando (também dá para jogar com rato e teclado). Mais, a comunidade também disponibiliza vários esquemas de controlos ou podemos personalizar os nossos. O desempenho é incrível e melhor do que as minhas máquinas alguma vez conseguiriam sonhar. Não teve soluços nem se engasgou, mesmo nas grandes cidades cheias de jogadores. A pecar, pecava apenas pelo tamanho da letra nos diálogos.
Passei a história toda com NPC, mas quando arrisquei com humanos, só me atrapalhei a puxar do teclado para comunicar. Não sendo necessário, basta conhecermos a nossa função e portarmo-nos bem. Como Tank, fui uma vez chamado à atenção por ter uma habilidade desactivada. Mas a comunidade é impecável e ainda me proporcionou alguns momentos engraçados, como haver apenas uma pessoa que sabia que era preciso estar em cima dos blocos laranja para sobreviver ao Doom de um boss, enquanto morríamos até aprender. Super paciente, foi o raid mais demorado, mas chegámos bem ao fim. E era bom chegar ao fim com o sentido de dever cumprido; o meu era garantir que ninguém era atacado e aguentar com tudo. Excepto naquele raid em Extreme, mas não falamos disso…
A experiência não foi reduzida em nenhum dos sentidos, com o pequeno, mas capaz, ecrã da Deck a ser uma janela para as paisagens de Eorzea, com algumas a puxarem-me para o primeiro Xenoblade Chronicles; a banda sonora era simplesmente magistral, desde os temas cantados de Susan Calloway aos temas nocturnos e diurnos de Limsa Lominsa ou Ul’Dah respectivamente, La Noscea Field, entre muitos outros.

Deixei o jogo a marinar nas últimas semanas de 2022, mas já estou pronto para avançar para a segunda parte do trial Heavensward! Porque o jogo é generoso e deixa-nos comer até mais não para termos mesmo a certeza de que é aquilo que queremos mesmo para a nossa vida. E já me decidi: quando chegar a altura de investir, não terei receio de o fazer duplamente: em mensalidade e em tempo. Todos com quem falei durante esta jornada disseram que o melhor ainda estava para vir; que a expansão Heavensward (e as sequelas) seria ainda melhor; que ARR era bom, mas que era um tutorial. E admito: senti-o como uma longa introdução, mas se o resto vai ser melhor, mal posso esperar por o descobrir ao longo dos meses ou anos. Honestamente? Tenho zero pressa em devorar este jogo. FFXIV será para ser saboreado entre outros jogos; quando tiver momentos mortos ou quando sentir a chamada da aventura.
Sabem o que me deixa mais entusiasmado? Saber que tenho anos de conteúdo pela frente. É quase como alguém começar One Piece hoje mesmo. Podem ser mil episódios, mas se gostar, serão mil episódios de aventuras! Se não gostar, é parar. É verdade, com o Final Fantasy XVI nas mãos desta equipa, só espero coisas boas.

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