Na Minha Cama Com… #3

Num texto anterior, disse que estava a abrir pelo Persona 5 Royal anos após ter terminado o original. É raro repetir RPG desta envergadura sem deixar passar, pelo menos, uma década, mas não consigo esconder o amor pelo meu primeiro Persona – e a sequela Strikers. Não só adorei a história, como já sentia saudades (e ciúmes) daquele grupo de amigos.

Achava que me ia aborrecer ao repetir a mesma história, só com algumas migalhas de conteúdo novo, mas não podia estar mais errado. A história continua fantástica e o conteúdo novo não são só migalhas, mas carcaças inteiras que dão outra vida ao jogo original, desde novas mecânicas em masmorras ao facto de podermos passear de noite, em vez de dormir; com novos locais e actividades, novas personagens e uma masmorra enorme depois do final. As novas personagens, a Kasumi e o psicólogo Maruki, são tão interessantes que tive de as discutir com a minha terapeuta sobre o meu próprio progresso e respectivas temáticas do jogo inteiro.
Agora, se por um lado fiquei satisfeito com esta nova versão, fico apreensivo quanto a um eventual Persona 6. Jogo logo ou espero pela versão actualizada? Mas enquanto não temos notícias de sequelas, fiquei a pensar enquanto lia as paredes de texto: quão bom seria jogar isto numa Switch? E anunciam logo esta versão no Direct. Serei parvo o suficiente para voltar a comprar o jogo e passá-lo novamente? É bem possível! Serei também um sortudo por poder jogar os Persona 3 e 4? Sem dúvida! Que bons tempos para os fãs!

Querem uma história? Claro que querem. Aqui vai: comecei a jogar Planescape: Torment quando a NOS ainda se chamava Netcabo e tinha limites de 1 GB. Por ter este limite, um amigo do Porto enviou-me um envelope com os CD embrulhados numa folha de papel A4 por correio.
Instalei, comecei o jogo e desisti à saída da Casa Mortuária. Não me lembro se foi por não ter gostado ou por não estar para aí virado, mas lembro-me que era bastante texto para ler sentado ao computador – parvo, eu sei… Até que chegamos ao final de junho, de 2022, com uma nova mentalidade e maturidade que me deixaram apreciar esta lenda dos jogos, e depois de já ter acabado as colecções de Baldur’s Gate 1 e 2 na Switch.
Aqui, a nossa personagem não tem nome e é quase imortal. Morre, mas acorda na Casa Mortuária, o que é um bom contorno ao ecrãs de Game Over. Não tem memórias, mas tem o corpo marcado de cicatrizes e tatuagens de anos e anos de vidas e mortes; os poucos companheiros vivos e que o reconhecem acompanham-no numa nova aventura, enquanto novos se juntam sem questionarem porque o seguem até ao final do mundo quase literal.

Ao passo que o combate é bastante medíocre face a um BG, o foco está na escrita e no escarafunchar de opções de diálogos para abrirmos outras mais e podermos avançar na jornada. Convém falar com tudo e todos! Inclusive com a equipa e para nós! Apesar de dizerem que podemos resolver tudo com a palavra, tive de recorrer à paulada para me deixarem em paz, mas foi delicioso testar os meus limites de idiota para me trancarem missões por não gostarem das minhas respostas. É um jogo que se joga muito mais como livro, mas que peca pelo tamanho da letra; é um jogo que não conta só uma história, mas que constrói todo um mundo e personagens bizarras, com religiões e convicções estranhas e uma mitologia riquíssima com planos e mentalidades e guerras milenares. Também é uma ventura que bebe sofregamente de Dungeons & Dragons, até encontrei o Vecna!
Adorei e fiquei com o bicho para saltar logo para o Divinity: Original Sin 2, mas o mês teve outros planos para mim.

E é isto! Com um jogo “mau”, o saldo até que foi positivo. Vamos a ver como serão os próximos tempos. Obrigado por terem lido!

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