Na Minha Cama Com… #2

Chegámos a uma parte dois! Isto de acumular jogos para escrever é bem mais prático do que ir às mijinhas, mas bora lá ver deste backlog:

Começo pelo único rage quit do lote, Battle Chasers: Nightwar. Tive pena porque o jogo prometia bastante e as primeiras horas até que foram divertidas, mas as outras? Nem por isso. Sem falar nos loadings morosos…
No artigo passado, disse que tinha desistido do SaGa SCARLET GRACE: AMBITIONS por não ter gostado da arte e dos visuais. A verdade é que os olhos também comem e este Nightwar deixou-me regalado com o traço de Joe Madureira (que recuperou da banda desenhada homónima), só que – SÓ QUE– o jogo tornou-se tão frustrante com os seus picos de dificuldade erráticos que drenaram todo e qualquer prazer para continuar.

As análises criticavam uma história e personagens desinteressantes, mas até que me afeiçoei a elas, mesmo representando os clichés das suas classes de fantasia. O sistema de combate por turnos (claro) também era interessante: não inventava a roda; tinha umas sequências de habilidades repetitivas e que não davam para avançar; mas a sinergia e a personalização da equipa e a mecânica Overcharge (que permitia acumular mana/pontos à lá Bravely/Octopath) dava outro toque ao spam nas batalhas.
Já as masmorras em perspectiva isométrica podiam ser abordadas em vários modos de dificuldade: Normal, Difícil e Muito Difícil, com o jogo a indicar as possibilidades de sobrevivermos em cada modo e a respectiva qualidade da recompensa. Se perdêssemos, teríamos de começar na cidade principal, regressar até à masmorra para a retomar ou reiniciar a disposição das mesmas (um pouco roguelite?). As primeiras, até meio do jogo, passaram como uma brisa até ao mencionado pico que tornou até o modo mais acessível num quase impossível – até os inimigos mais comuns puxavam do ecrã de Game Over com uma terrível facilidade. Ajudava que quanto mais combatêssemos, mais informações tínhamos sobre esses inimigos, ataques e vulnerabilidades; as batalhas tornavam-se mais fáceis, mas até lá… Até lá, era fazer sidequests, hunts ou repetir masmorras anteriores em vários modos até nos sentirmos confortáveis para a seguinte.
A aleatoriedade das masmorras pedia mesmo a repetição de várias voltas para mascarar o grind descarado; ainda tentei abusar de um boss que invocava infinitas criaturas enquanto via uma série para melhorar as minhas personagens, mas quando o pára-arranca voltou na masmorra seguinte-seguinte, decidi que estava na hora de parar por já não estar a desfrutar do jogo como quando o comecei. E foi assim que meti este Nightwar de parte por o considerar bastante desiquilibrado. Se por um lado, os visuais, o combate por turnos, as personagens e o ambiente de fantasia me puxaram, o facto de o começar a ver como trabalho afastaram-me com muita pena… Consigo recomendá-lo sem problemas e é possível que tenham mais paciência ou técnica do que eu. Não saem daqui a perder – só tempo.

Do ocidente, saltei para o oriente com um jogo que provavelmente sabia que ia gostar: Lost Sphear! E porquê? Porque gostei dos I Am Setsuna e Oninaki da Tokyo RPG Factory, jogos que almejam a glória dos clássicos. Com a mesma melancolia dos mencionados, Lost Sphear conta a história de um mundo moribundo, cujas memórias de pessoas, cidades, conceitos vão desaparecendo sob a triste vigília da Lua. O nosso elenco é o único capaz de devolver o mundo ao seu estado original e, para isso, tem de combater uma miríade de criaturas, um império que queria resolver o problema à sua maneira e o clássico vilão com várias formas. Gostei da motivação das batalhas, pois éramos recompensados com fiapos de memórias que podiam ser usados para abrir caminhos, encontrar tesouros, desbloquear habilidades especiais, entre outros detalhes.
O combate por turnos era bem divertido, pois podíamos alternar entre as várias personagens diferentes no momento, combinar ataques especiais ou invocar mechas naquelas batalhas mais puxadas.

Apesar de ter gostado muito dos temas, que exploro na minha escrita criativa, senti que o jogo patinou um pouco nos momentos finais e gostava que tivessem tido a coragem em algumas decisões narrativas. Não obstante, gostei o suficiente para repetir o final e ter o verdadeiro – o mais triste.
Sim, foi um RPG seguro, genérico e morno, mas como digo e volto a repetir: eu gosto de arroz e comer arroz com frequência não me fere; adiciona-se um condimentozito e temos uma refeição confortável para dias menos confortáveis. O anúncio do futuro Harvestella deixou-me com um sorriso enternecedor nos lábios.

Para variar dos RPG, perguntei aqui em casa pelo próximo jogo e a resposta foi um Fatal Frame: Maiden of Black Water. Mas olha que os primeiros são melhores, avisou-me ela. E acreditei!, mas gostei tanto deste jogo e imagino como serão as origens desta série de terror asiático que não falha com as suas moças de cabelos negros compridos.
Só que estaria a mentir se dissesse que este era o meu primeiro. Na verdade, joguei dez minutos do jogo original, mas desliguei por me ter assustado com alguma coisa – isto há uns bons anos! Entretanto, lançaram mais jogos até este Maiden.
Jogar no ecrã da Switch foi outro bónus: mover a consola para acompanhar a câmara foi uma experiência daquelas enquanto tentava apanhar as aventesmas no seu melhor ângulo. Melhor do que o combate em si, foi poder fotografar as assombrações e ir descobrindo as suas histórias trágicas; ler os documentos espalhados e ir absorvendo toda aquela atmosférica trágica que é tão nipónica que dói.

E entendi porque me disse que os outros eram melhores – apesar de ter gostado do enredo, da mitologia, do ambiente e das motivações das várias personagens, achei o jogo para lá de repetitivo… Os cenários eram sempre os mesmos!, ora no monte, ora no templo, ora no que raio que me partisse e sempre que alguma das personagens fugia ou era raptada para o mesmo sítio, só as queria deixar falecer no mato. Mais, quem raio se vai aventurar num local assombrado e cheio de espíritos durante a noite!? Se fossem meus amigos, bem que podiam ficar lá. Deve ser por isso que não tenho amigos! Os melhores capítulos foram mesmo os das câmaras de vigilância, cum caraças…
Mas gostei, gostei e também foi curto. Fez-me ter saudades daqueles jogos de terror mais lentos. Escusado será dizer que me abriu o apetite para outras assombrações, tanto em jogos, como em filmes/séries. Por alguma razão, saltei-o na Wii U, mas apanhei-o agora. Que ports estão em falta? O Xenoblade Chronicles X? Não me dêem esperança…

Pronto, para a semana há mais porque dividimos esta parte em duas! Pensamos em vocês, sempre.

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