Ni no Kuni: Wrath of the White Witch | BACKLOG

Acabei o ano de 2021 com Ni no Kuni. Comecei o ano de 2022 com Ni no Kuni e acabei o jogo há diasjá o tinha na PS3, mas optei pela versão remasterizada na Switch. E assim continua a minha demanda pelo backlog.
Este jogo deliciou-me do início ao fim, apenas com umas partes menos boas, mas nem tudo pode ser um 10/10. Dito isto, bora lá.

Ni no Kuni é a estória de luto do jovem Oliver que perdeu a mãe nos primeiros minutos do jogo – não é spoiler, é toda a motivação da personagem desde a abertura. Sendo um tema que me diz muito, não demorei até me relacionar com a personagem, com a diferença de não ter sido transportado para um mundo de fantasia. Infelizmente, continuo neste bem real, onde jogos do género conseguem ajudar-me a sorrir e espero que este texto, ou semelhantes, tenham o mesmo efeito ao fazer-vos jogar.
Após travarmos amizade com a fada de sotaque galês, Drippy (é imperativo jogarem com as vozes inglesas!), viajamos para um belíssimo mundo ghibliesco com a missão de salvarmos a nossa mãe. É que no universo deste jogo, os habitantes de um mundo/dimensão partilham ligações com habitantes de outros mundos/dimensões – vai ao encontro do conceito das almas gémeas.
Se a missão é simples, quando chegamos a este novo mundo constatamos que há mais gente a precisar de ajuda. Porque há sempre algo a acontecer; porque há sempre uma ameaça nas sombras. E a ameaça tem o nome de Shadar, um feiticeiro malvado, que anda a roubar pedaços de coração às pessoas. E nós, obviamente, teremos de as ajudar com alguma magia, um recipiente para extrair emoções e devolvê-las a quem mais precisa. É um toque de empatia engraçado que dá um sabor às missões secundárias, para além das típicas fetch quests.
Para combater o feiticeiro, há que usar fogo contra fogo, e rapidamente passamos a aprendizes de feiticeiros com uma varinha e um enorme compêndio mágico. Quando digo enorme, é mesmo enorme: o raio do livro incluía tudo, desde feitiços, alquimia, lore do mundo, fauna e flora, contos etc. Imaginem não jogar para ler tudo tudinho.

Adorei este jogo por ter sido a tempestade perfeita entre o RPG tradicional e um filme de animação mimoso. Ele vai buscar espadas e magia; locais exóticos e convidativos; personagens excêntricas e carismáticas; um mapa mundo que vamos atravessar a pé, de barco, a voar pelos céus. E ainda temos os summons! Claro que o saudosista em mim se sentiu acarinhado, mas seria melhor se o combate fosse por turnos…
Depois, toda a arte! Não mencionei Ghibli do nada, porque o estúdio não só se inspirou no famoso estilo de animação, como colaboraram activamente e o resultado, bem, está à vista! E o cenário não ficaria completo sem a participação do compositor Joe Hisaishi que nunca falha em emocionar. Se este jogo vos tocar, entristecer ou inspirar a continuar, é graças às melodias calmas num momento e arrebatadoras noutro.

Mas não se trata de um filme para nos encostarmos só a ver. É um jogo e isso significa jogabilidade.
Se descrevi parte dela ao roçar os RPG antigos, a outra é o combate onde vamos passar muito tempo. Ni no Kuni optou por tê-lo em tempo real e é um pouco como Pokémon, na medida em que apanhamos, treinamos e evoluímos criaturas, aqui familiars, para combaterem por nós.
Fiquei fã de alguns aspectos, como o facto de familiar e feiticeiro partilharem a mesma barra de HP/MP, mas não de não ter a mesma informação dos parceiros, onde só via o HP, e não o MP, e ter de andar numa gestão ansiosa para não morrerem. E morrem bastante porque a IA é má, tanto que a solução passa por desligar tudo até aos bosses.
Quando as coisas correm bem, as batalhas chegam a ser divertidas!, corremos pela arena, tomamos posições estratégicas e arreamos nos adversários com ataques/habilidades certeiras que os impedem de lançar ataques devastadores ou os deixam imobilizados e abertos para apanhar. Nem sempre funciona, mas imprime um certo dinamismo às batalhas. Agora, não é só escolher o familiar mais forte e já está, há que ter em conta toda uma tabela de resistências/vulnerabilidades de elementos (fogo, água, tempestade) e ainda!, uma de resistências/vulnerabilidades de astrologia(?). Chega a ser demasiada informação, mas está tudo no grande livro de feitiçaria OU joguem em fácil OU apostem num leque variado de criaturas para taparem qualquer buraco. Em último caso, tragam o Oliver para a frente e descarreguem as magias mais poderosas. Se ficarem sem MP, bebam um cafézinho. Sim, leram bem. Outro toque que amei neste jogo é o uso de itens do quotidiano para recuperar energia: uma sandes recupera saúde e uma bica recupera mana. Entre outros que podemos comprar ou confeccionar no nosso caldeirão mágico.
Outro aspecto bonito é o facto de as magias não servirem só para o combate, mas para ajudar as pessoas pelo mundo. Ora podemos animar objectos para as ajudar; recuperar partes do cenário; comunicar com animais e com os que já partiram. Existem algumas bem tolas, mas com a sua utilidade. Experimentem e divirtam-se!

Admito que possa ser muito conceito para digerir, mas o jogador não é obrigado a saber e a fazer tudo, especialmente as missões secundárias aborrecidas. Apesar de haver incentivos em forma de carimbos para desbloquear mecânicas de jogo – pensem naquele sistema de carimbos, onde ao quinto bubble tea, recebem um grátis, passam bem só a fazer caçadas ou só a jogar pela estória (não se livram de algum grind); não têm de apanhar todas as criaturas ou treiná-las ao máximo; não têm de recuperar todas as páginas do livro; só têm de desfrutar desta fábula encantada.
E mesmo que achem que a estória não é original, é uma aventura colorida e confortável com ainda algumas horas de deslumbramento e diversão. Garanto que vão existir emoções, sentimentos bonitos e gargalhas numa certa cena ou outra. Também vão coçar a cabeça noutros momentos, mas vão deixar-se ir porque, bem no fundo, todos gostaríamos de explorar um mundo assim, com gatos e vacas soberanas, fadas comediantes, dragões e piratas do ar e feiticeiros misteriosos. No final, há uma evolução e uma lição a aprender.
Mal posso esperar para ir à sequela ou ver o filme animado, mesmo com as críticas menos boas.

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